sábado, 2 de julho de 2011

FHC 80: o registro do próprio.

A soma e o resto, artigo de Fernando Henrique Cardoso publicado neste domingo nos principais jornais do país: 

Tomo de empréstimo o título de um livro de Henri Lefebvre, escritor francês que rompeu com o Partido Comunista em 1958 e publicou suas razões para tanto neste livro de 1959. Anos mais tarde, em 1967/68, fui colega de Lefebvre em Nanterre quando demos início, junto com Alain Touraine, Michel Crozier e com o então quase adolescente Manuel Castells a uma experiência de renovação da velha Sorbonne, na área das ciências humanas. Sempre gostei do título do livro de Lefebvre e agora, ao escrever estas linhas sem qualquer pretensão a devaneios psicanalíticos me recordo também que Lefebvre tinha uma grande semelhança física com meu pai. Mas o fato é que há momentos para fazer um balanço. No caso, Lefebvre descontava o que o Partido Comunista lhe tirara ou ele do mesmo e via o que sobrava: a experiência dramática das revelações que Kruschev fizera dos horrores estalinistas, somadas à invasão da Hungria, provocaram uma remexida crítica na intelectualidade europeia, que não deixou de afetar a brasileira e a mim próprio.

Hoje, ao completar 80 anos, diante do fato inescapável de que o tempo vai passando e às vezes não deixa pedra sobre pedra, eu, que não sou dado a balanços de mim mesmo (e nem dos outros), senti certa comichão para ver o que resta a fazer e a soma das coisas que andei fazendo. Mas, não se assuste o leitor: o espaço de uma crônica não dá para arrolar o esforço de oito décadas para tentar construir algo na vida, quanto mais para alistar o muito de errado que fiz, que pode superar as pedras que eventualmente ficaram em pé. Além do mais, prefiro olhar para frente a mirar para trás. Quando algum repórter me pergunta o que acho que ficará de mim na História, costumo dizer, com o realismo de quem é familiarizado com ela, que daqui a cem anos provavelmente nada, talvez um traço dizendo que fui presidente do Brasil de 1995 a 2003. Quando insistem em que fiz isso ou aquilo, outra vez meu realismo – não pessimismo, nem hipocrisia de modéstia – pondera que, no transcorrer da história, quem sobra nela é visto e revisto pelos pósteros ora de modo positivo, ora negativo, dependendo da atmosfera reinante e da tendência de quem revê os acontecimentos passados. Portanto, melhor não nos deixarmos embalar pela ilusão de que há pedras que ficam e que serão sempre laudadas. Além do mais, dito com um pouco de ironia, se o julgamento que vale para os homens políticos e mesmo para os intelectuais é o da História, de que serve o que digam de nós depois de mortos?

Pois bem, se é assim, se o que vale é o agora, não tenho palavras para agradecer a tantos, e foram muitos, os que se referiram mim com generosidade neste passado mês de junho. Mesmo sabendo, repito, da efemeridade dos juízos, é bom escutar pessoas próximas, não tão próximas e mesmo distanciadas por divergências, procurarem ver mais o lado bom, quando não apenas ele, e expressarem opiniões que me deixaram lisonjeado e, a despeito de meu realismo, quase embalado na ilusão de que fiz mais do que penso ter feito. Como não posso agradecer a cada um pessoalmente, nem desejo deixar de lado alguém nem os muitos que me disseram pessoalmente palavras de estímulo ou as registraram por cartas, e-mails ou na web, aproveito esta página de jornal para reiterar que não sei como exprimir o quanto a solidariedade dos contemporâneos me emocionou.

Não posso me queixar da vida. Vivi a maior parte do tempo dias alegres, mesmo que muitas vezes tensos. Assim como senti as perdas que fazem parte de sobreviver. Perdi muita gente próxima ou que admirava à distância nestes 80 anos. Pais, irmãos, mulher, amigos, amigas, companheiros de vida acadêmica e política. Ainda agora, para que nem tudo fosse rosas, perdi às vésperas de meu aniversário um companheiro de universidade com quem convivi cerca de 50 anos, Juarez Brandão Lopes. E no momento em que escrevo estas linhas veio a notícia da morte de Paulo Renato Souza, companheiro, colaborador, grande ministro da Educação, colega de exílio. As perdas, para quem está vivo, são relativas. Aprendi a conviver na memória com as pessoas queridas e mesmo com algumas mais distantes com as quais “converso” vez por outra no imaginário para reposicionar o que penso ou digo. Tomo em conta o que diriam os que não estão mais por aqui, mas deixaram marcas profundas em mim. Na soma, não cabe dúvida, mantive mais amigos que adversários. Não sinto rancor por ninguém, talvez até por uma característica psicológica, pois esqueço logo as coisas de que não gosto e procuro me lembrar das que gosto e pelas quais tenho apego.

Por fim, para não escrever uma página muito água com açúcar, se me conforta ter tantos amigos e receber deles tanto apoio e se prezo a amizade acima de quase tudo, devo confessar que apesar de meu pendor intelectual ser forte, no fundo, sou um homo politicus. Herdado de meus pais e de algumas gerações de ancestrais, vivo a vida na tecla do serviço ao público, da polis, e para mim o público hoje não é apenas o brasileiro, mas tem uma dimensão global. Pode parecer “coisa de velho”, mas o fato é que a esta altura da vida estou convencido, sem prejuízo das crenças partidárias e ideológicas, de que cada vez mais, como humanidade, como cidadão e como seres nacionais, simultaneamente, estamos nos aproximando de uma época na qual ou encontramos alguns pontos de convergência, uma estratégia comum para a sobrevivência da vida no planeta e para a melhoria da condição de vida dos mais pobres em cada país, ou haverá riscos efetivos de rupturas no equilíbrio ecológico e no tecido social.

Não é o caso de especificar as questões neste momento. Mas cabe deixar uma palavra de advertência e de otimismo: é difícil buscar caminhos que permitam, em alguns temas, uma marcha em comum, mas não é impossível. Tentemos. Vi tanta boa vontade ao redor de mim nestas últimas semanas que a melhor maneira de retribuir é dizendo: espero poder ajudar a todos e a cada um a sermos mais felizes e dispormos de melhores condições de vida. Guardarei as armas do interesse pessoal, partidário ou mesmo dos egoísmos nacionais sempre que vislumbrar uma estratégia de convergência que permita dias melhores no futuro. Com confiança e determinação, eles poderão vir. 

* Ex-presidente da República

Caixa preta da Petrobrás beneficia empresa de senador com contratos de R$ 57 milhões sem licitação.

Uma empresa do senador e ex-ministro Eunício Oliveira (PMDB-CE), a Manchester Serviços Ltda., assinou sem licitação contratos que somam R$ 57 milhões com a Petrobrás para atuar na Bacia de Campos, região de exploração do pré-sal no Rio de Janeiro. Documentos da estatal mostram que foram feitos, entre fevereiro de 2010 e junho de 2011, oito contratos consecutivos com a Manchester.A matéria é do Estadão.
Os prazos de cada um dos contratos são curtos, de dois a três meses de duração, e tudo por meio de "dispensa de licitação", ou seja, sem necessidade de concorrência pública. Eleito senador em outubro, Eunício é presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a mais importante da Casa. Cerca de R$ 25 milhões foram repassados pela Petrobrás à Manchester em 2010, ano de eleições. A nove dias do segundo turno presidencial, por exemplo, Petrobrás e Manchester fecharam um novo contrato - via "dispensa de licitação" e pelo prazo de 90 dias - no valor de R$ 8,7 milhões. Desde então, já no governo de Dilma Rousseff, novos contratos foram celebrados sem concorrência pública com a empresa do senador, entre eles um de R$ 21,9 milhões (de número 4600329188) para serviços entre abril e junho deste ano. 
A Manchester tem sede em Brasília, mas instalou filial em Macaé num sobrado de uma rua sem saída, a poucas quadras da sede da Petrobrás na cidade fluminense. A empresa é contratada para fornecer mão de obra terceirizada à estatal, incluindo geólogos, biólogos, engenheiros e administradores. O diretor da Área Internacional da Petrobrás, Jorge Zelada, e o diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa, foram indicados no governo passado pelo PMDB, partido de Eunício, e mantidos no governo Dilma. A Petrobrás confirmou ao Estado os valores e a "dispensa de licitação". Informou que novos contratos foram feitos com a Manchester sem concorrência pública "em decorrência de problemas em processo licitatório". Eunício se nega a falar sobre o assunto, sob a alegação de que está afastado das decisões da empresa. Ele escalou o sócio Nelson Ribeiro Neves para se manifestar à reportagem. O senador é dono de 50% da sociedade da Manchester, conforme informação dele mesmo à Justiça Eleitoral e confirmada na Junta Comercial. 

Antes de virar senador, Eunício foi deputado federal e ministro das Comunicações do governo Lula. É membro da Executiva Nacional do PMDB. Em julho do ano passado, ofereceu um jantar em sua casa para Dilma (veja foto ao lado) com a presença de mais de 300 pessoas. A mesma casa foi palco de homenagem, em dezembro, ao então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A empresa do senador fornece mão de obra para áreas estratégicas da Petrobrás, que, por ser estatal, não precisa publicar seus contratos no Diário Oficial da União nem no Portal da Transparência, mantido pela Controladoria-Geral da União (CGU). Segundo a gerente da empresa em Macaé, são pelo menos mil funcionários da Manchester atuando na gestão administrativa "on shore" (em terra) em Macaé. Procurada pelo Estado na quarta-feira, a gerente da empresa na cidade, que se identificou como Fabiane, fez um apelo para que a reportagem não fizesse a vinculação da Manchester com a Petrobrás. "Só não quero que mencione a empresa. Não vincule o nome da empresa neste momento." 

Os documentos da Petrobrás mostram que um contrato de R$ 4,3 milhões foi feito para prestação de serviços entre 23 de fevereiro e 29 de abril de 2010. Outro de R$ 8,7 milhões referiu-se ao período de 10 de maio a 26 de julho do mesmo ano. De 13 de agosto a 24 de setembro, Petrobrás e Manchester firmaram contrato de R$ 4,3 milhões, e logo depois, entre 22 de outubro e 22 de janeiro, a empresa do senador recebeu mais R$ 8,7 milhões. O primeiro contrato fechado no governo Dilma com dispensa de licitação ocorreu no dia 26 de janeiro, com vigência até 22 de maio, pelo valor de R$ 8,7 milhões. Entre 18 de abril e 14 de junho, aparece o contrato de R$ 21,9 milhões. As duas empresas ainda assinaram um contrato menor, de R$ 872 mil, vigente de 11 de março a 11 de junho. Por "convite", a Manchester receberá mais R$ 298 mil para prestar serviços administrativos até fevereiro de 2012. 

O valor repassado pela estatal à empresa do senador entre 2010 e 2011 é muito superior ao que ela recebe de outros órgãos do governo federal. No mesmo período, a Manchester faturou, segundo dados do Portal da Transparência, R$ 17,8 milhões de sete ministérios, menos da metade do que a empresa ganhou somente da Petrobrás. O senador Eunício Oliveira foi tesoureiro do PMDB na campanha presidencial do ano passado (na foto com Lula, José Pimentel e Cid Gomes), que levou Dilma Rousseff ao Planalto. Eunício permanece no cargo de tesoureiro do partido. A Manchester Serviços Ltda. é mencionada no escândalo de corrupção do Distrito Federal, conhecido como "mensalão do DEM". 

Os nomes da empresa e do senador Eunício Oliveira aparecem em relatório da Polícia Federal que levanta suspeita sobre pagamento de R$ 666 mil autorizado pelo governo do DF. A PF sugere que seja aprofundada a investigação. Em junho de 2010, o Tribunal de Justiça do DF condenou a Manchester a não fechar mais contratos com órgãos públicos por cinco anos, por irregularidades em licitação em serviços prestados para o Banco de Brasília (BRB). "Os valores pagos foram estabelecidos em valores bem superiores aos praticados no mercado", disse decisão do juiz Alvaro Luis Ciarlini. A empresa e o BRB recorreram da decisão.

Medicina cubana quase mata Chávez.

As revelações são do jornal espanhol El Periódico, obtido junto a fontes diplomáticas venezuelanas:

O presidente venezuelano Hugo Chávez sofre de um câncer colorretal que  perfurou a parede intestinal e  causou uma infecção no abdômen. Foi feita uma colostomia ( cirurgia para prender o tecido sadio do intestino ao abdômen para colocação de uma bolsa adesiva para drenagem das fezes). Ocorre que um cirugião cubano diagnosticou um abscesso pélvico e fez uma operação que causou violenta infecção intestinal, pois tratava-se de um tumor maligno.Dada a gravidade do quadro, as autoridades cubanas buscaram os serviços de um cirurgião espanhol, José Luis Garcia Sabrido, chefe do Departamento de Cirurgia Marañon,de Madri. Segundo relatos, Chávez não pode receber quimioterapia, devido à infecção causada pela primeira operação. A situação do venezuelano é considerada grave, porque há chances do tumor ter causado uma metástese.

Propinoduto no Ministério dos Transportes: confirmado "afastamento" de diretores em nota oficial.

Veja a íntegra da nota, abaixo:

O Ministro de Estado dos Transportes, Alfredo Nascimento, rechaça, com veemência, qualquer ilação ou relato de que tenha autorizado, endossado ou sido conivente com a prática de quaisquer ato político-partidário envolvendo ações e projetos do Ministério dos Transportes. A preocupação e o cuidado com a correta administração do bem público é uma das marcas da sua vida pública e, especialmente, de suas gestões à frente da Pasta.

Diante da relevância do relato publicado pela revista e da ausência de provas, Nascimento decidiu instaurar uma sindicância interna para apurar rápida e rigorosamente o suposto envolvimento de dirigentes da Pasta e seus órgãos vinculados nos fatos mencionados pela revista. Além de mobilizar os órgãos de assessoramento jurídico e controle interno do Ministério dos Transportes, o ministro decidiu pedir a participação da Controladoria-Geral da União (CGU). As providências administrativas para o início do procedimento apuratório serão formalizadas a partir da próxima segunda-feira, 04/07.

Para garantir o pleno andamento da apuração e a efetiva comprovação dos fatos imputados aos dirigentes do órgão, os servidores citados pela reportagem serão afastados de seus cargos, em caráter preventivo e até a conclusão das investigações. Alfredo Nascimento já comunicou sua decisão à Presidência da República. O desligamento temporário dos servidores Mauro Barbosa da Silva, Chefe de Gabinete do Ministro; Luís Tito Bonvini, Assessor do Gabinete do Ministro; Luís Antônio Pagot, Diretor-Geral do DNIT; e José Francisco das Neves, Diretor-Presidente da Valec; será formalizado a partir da próxima segunda-feira, 04/07, pela Casa Civil da Presidência.

Dilma ordena demissão em massa no ministério dos Transportes. Não confunda com Esportes: lá são "idemitíveis".

Da Folha Poder:

A presidente Dilma Rousseff determinou neste sábado que o ministro Alfredo Nascimento (Transportes) afaste imediatamente todos os envolvidos no supostos esquema de propina na pasta. Segundo reportagem da revista "Veja", representantes do PR, partido que comanda os Transportes, funcionários do ministério e de órgãos vinculados à pasta montaram um esquema de superfaturamento de obras e recebimento de propina por empreiteiras. Entre os citados estão o próprio chefe de gabinete do ministro, Mauro Barbosa, o assessor do ministério, Luiz Tito, o diretor-geral do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), Luiz Antonio Pagot, e o presidente da estatal Valec, José Francisco, o Juquinha. Dilma conversou com Nascimento por telefone dando a ordem. O ministro está fora de Brasília, mas ela vai recebê-lo o quanto antes para ouvir pessoalmente as explicações do interlocutor. Segundo integrantes do governo, o futuro de Nascimento no cargo é incerto.

Perrella, suplente de Itamar, sofre investigação do Ministério Público.

A evolução patrimonial do presidente do Cruzeiro e suplente de senador, Zezé Perrella (PDT), será investigado pelo Ministério Público de Minas Gerais, de acordo com informação do jornal Hoje em Dia, no final de maio.

O MP quer saber como Perrella conseguiu adquirir uma fazenda avaliada em R$ 60 milhões, mostrada pelo Hoje em Dia, em Morada Nova de Minas. Lá, a atividade agrícola, que visa até mesmo a exportação, é extensa, com criação de bovinos e suínos, além de plantação de grãos. Ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE), Perrella informou ter R$ 490 mil em bens, entretanto, antes das últimas eleições. 

A fazenda está em nome da empresa Limeira Agropecuária, com as ações divididas entre dois filhos do presidente da Raposa e de um sobrinho, segundo o Hoje em Dia. Um dos filhos é Gustavo Perrella (PDT), de 27 anos, atual vice-presidente de futebol do Cruzeiro e recém eleito deputado estadual. Zezé Perrella está na vida pública desde 1995, quando assumiu a presidência celeste pela primeira vez.
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Zezé Perrella emitiu nota oficial contestando o Jornal Hoje e informando que:

1 – Das terras que compõem a fazenda Guará, no município de Morada Nova de Minas, cerca de 87% foram adquiridos pela empresa Limeira Agropecuária e Participações Ltda em 1999, em um total de 3.220 hectares. 

4 – Após arduos anos de reinvestimentos de lucros e muito trabalho,hoje a fazenda Guará tem uma área total de 3.700 hectares, 110 funcionários, um faturamento anual de R$ 20.000.000,00 (vinte milhões de reais) e está avaliada em R$ 60.000.000,00 (sessenta milhões de reais), com a seguinte composição:

8 – Hoje a referida empresa tem a seguinte constituição societária: Gustavo Henrique Perrella Amaral Costa (47,5%), Carolina Perrella Amaral Costa (47,5%) e André Almeida Costa (5,0%), conforme os documentos registrados na Junta Comercial de Minas Gerais. 

Pelo acima exposto, conclui-se que Gustavo Henrique Perrella Amaral Costa, atual deputado estadual pelo PDT em Minas Gerais, possuindo 47,5% de uma fazenda avaliada em R$ 60 milhões, deveria ter, na Limeira Participações,  um patrimônio de R$  28,5 milhões. Vejam (clicar na imagem para ampliar e ler) o que o filho declarou para a Justiça Eleitoral, segundo o site Excelências:

A última participação de Itamar no Senado.

Itamar Franco estava hospitalizado desde o dia 21 de maio de 2011. Seu último discurso foi na sessão de 11 de maio, que discutia o aumento espontâneo de preços concedido pelo Brasil ao Paraguai, pela energia de Itaipu, que representa um custo adicional de R$ 4 bilhões. No dia 12 de maio, ele voltou ao tema criticando a imprensa paraguaia. Morreu um grande senador, nos poucos dias em que lá esteve. Morreu um grande presidente e um grande brasileiro.

Assista aos vídeos um  e dois do último discurso.

Assista ao vídeo da última participação do senador Itamar Franco no plenário.

Morre Itamar.

De O Globo Online:

O senador e ex-presidente Itamar Franco morreu neste sábado, aos 81 anos, no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. Ele foi diagnosticado com leucemia e estava internado desde o dia 21 de maio. Na sexta-feira, o estado de saúde do ex- presidente piorou e foi levado para a UTI, com pneumonia grave. De acordo com o boletim médico divulgado na sexta-feira, Itamar respirava por aparelhos. Itamar Augusto Cautiero Franco talvez seja o único mineiro que tenha nascido em alto-mar. Foi em junho de 1930, quando sua mãe viajava em um navio do Rio de Janeiro para Salvador e por isso foi obrigada a registrar o filho na capital baiana. No ano seguinte, o "erro" seria corrigido com o registro da certidão de batismo, que traz Juiz de Fora como sua verdadeira terra natal.

Verdes 15 x Marina 1.

Os planos de Marina Silva de grilar o PV não deram certo. Dos 15 parlamentares do PV, apenas um vai pedir licença, mas sem sair do partido. A matéria abaixo é de O Globo. O repórter Sérgio Roxo, ou verde roxo, não consegue conter a sua revolta. Do jeito que vai, resta para Marina Silva montar o PRS, Partido das Redes Sociais ou o PIA, Partido da Imprensa Amestrada.

A ex-senadora Marina Silva deve contar com apoio mínimo da bancada do Partido Verde em sua decisão de deixar a legenda, numa mostra do caciquismo que impera nas estruturas partidárias no Brasil. Mesmo tendo tido 20 milhões de votos nas eleições presidenciais do ano passado, e com isso ajudado a eleger muitos companheiros para o Congresso, apenas um deputado federal, Alfredo Sirkis (RJ), anunciou até agora que irá acompanhar a ex-presidenciável. Sirkis vai se licenciar por tempo indeterminado do partido, mas não irá se desfiliar para não colocar em risco o seu mandato.

O PV tem 14 deputados federais e um senador. Dos 15, portanto, só Sirkis declarou ao GLOBO que deve seguir Marina, mesmo que permaneça no partido, em protesto contra a falta de democracia interna. Dos outros 14, só dois não responderam à consulta - Roberto Santiago (SP) e Henrique Afonso (AC) não respondeu. Além do deputado José Luiz Penna (SP), presidente do partido e razão da saída de Marina, oito parlamentares declararam que vão continuar na legenda mesmo com a saída da ex-senadora. O décimo, Guilherme Mussi (SP), já havia anunciado, antes de a crise verde se agravar, que mudará para o PSD, o novo partido do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab.

O movimento pró-Marina ainda pode ser engrossado por dois parlamentares do Rio Grande do Norte, o senador Paulo Davim (que é suplente e está no exercício do cargo) e o deputado Paulo Wagner. Eles se dizem indecisos sobre qual caminho seguir. - Ainda vou conversar com meu grupo político e decidir o que fazer. Mas estou decepcionado com o partido. Sou deputado federal e não posso votar na Executiva. Falta democracia - afirma Wagner. Entre os que disseram que vão continuar no PV mesmo com a saída de Marina, são comuns os elogios aos 12 anos do comando de Penna. - Quando a Marina entrou no partido, o Penna já estava. Ele fez muito, garantiu a estruturação do PV - disse o deputado Fábio Ramalho (SP).

A principal reivindicação do grupo de Marina nos embates com Penna é a realização de uma convenção para escolha de nova direção. A divisão entre os grupos já era evidente na eleição presidencial, mas a crise veio à tona quando a Executiva Nacional aprovou, em março, a prorrogação do mandato do presidente do partido. - É verdade que é frágil a democracia interna do PV, como em todos os partidos. A causa fundamental disso é que a Constituição deixou os partidos se organizarem da forma que quiserem - minimiza o deputado Antônio Roberto (SP), que ficará no PV.

O grupo de Marina reconhece que mesmo os deputados que inicialmente se aliaram à ex-senadora na batalha pela democratização do comando da legenda tiveram que abandonar o barco quando se decidiu pelo rompimento. Os parlamentares temem ficar sem legenda na eleição do próximo ano. Um desses casos é o do deputado fluminense Dr. Aluízio, que pretende disputar a prefeitura de Macaé. - Tomo a decisão (de ficar) também por causa da candidatura. Não tenho como abrir mão da estrutura partidária. Mas vou lutar para concretizar a democracia no PV. Dr. Aluízio, assim como outros parlamentares, dizem ainda acreditar em uma reviravolta que possa manter Marina no partido. Em um último esforço, ele vai sugerir, na próxima semana, a formação de uma comissão comandada pelo ex-deputado Fernando Gabeira (RJ) para viabilizar as eleições internas da legenda ainda este ano. Falta combinar com o grupo de Penna. O plano de Marina é anunciar na próxima quinta-feira, em São Paulo, a saída do PV para liderar um movimento que terá como bandeira a sustentabilidade e a cidadania.

Resgatando os fatos.

Por que surgiu o PSD? Porque uma minoria dentro do DEM rasgou acordos e regras para se perpetuar no comando da legenda. O que houve ali, claramente, foi que uma meia dúzia de derrotados quis impor a sua vontade a uma ala vitoriosa do partido, para servir a um terceiro interesse: o PSDB de Aécio Neves. Houve um golpe estatutário e isto é fato público e notório. Por isso, soam cada vez mais ridículas as iniciativas de nomes respeitáveis da política nacional como o senador Demóstenes Torres (GO) e o senador José Agripino (RN) em desesperadas tentativas de produzir factóides para impedir o surgimento de um partido que eles sabem, nos mínimos detalhes, porque está nascendo. Se ambos tivessem lutado a favor da legalidade e da moralidade dentro do DEM, à época, o PSD não existiria. Haveria um DEM forte e não um DEM à beira da morte. Onde estão Rodrigo Maia e César Maia, os grandes responsáveis pela cisão? Exatamente onde deveriam estar muito antes do racha: recolhidos à sua própria insignificância.

PSDB do Aécio não gostou de aparecer como oposição.

Da Folha de São Paulo:

Em mais uma demonstração de divergência, o comando do PSDB se recusou a referendar uma carta divulgada ontem pelo presidente do conselho político do partido, José Serra, com duras críticas ao governo Dilma Rousseff. A ideia era que o documento fosse o primeiro fruto do colegiado criado pelos tucanos para acomodá-lo no comando partidário. Serra tentou viabilizar a divulgação pela sigla. Sem resposta, publicou -atribuindo-o ao conselho político em seu site.

"Tentei construir um consenso sobre a matéria, mas não tive tempo hábil ", argumentou o presidente da legenda, deputado Sérgio Guerra (PSDB-PE). Guerra afirmou ainda que o PSDB não pode assumir a autoria da carta sem aprovação da Executiva Nacional. "O partido não tem uma manifestação sobre isso", disse.
Em tom acima do adotado por grão-tucanos, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o documento diz que o governo Dilma é marcado por "incompetência e autoritarismo". "E o PSDB não renunciará à denúncia desses atos", diz a carta, que foi intitulada "A nossa missão".

Serra apresentou o texto aos integrantes do conselho na última quarta-feira, às vésperas da primeira reunião com FHC, o governador Geraldo Alckmin e Guerra. Aécio Neves, que integra o colegiado, mas está de repouso por ter caído de um cavalo, recebeu uma cópia do documento já pronto. Procurado pela reportagem, o ex-governador disse, via assessoria, que o texto "não foi objeto de votação porque foi apresentado no mesmo dia [do encontro]. Mas os quatro que estavam na reunião gostaram muito".Serra acrescentou ainda que não fez o texto para que fosse votado, mas para servir de "base para discussão".

Para tucanos, o teor da carta contraria a estratégia de restaurar a imagem de FHC e reduzir o índice de rejeição à sigla, especialmente pela divulgação ocorrer depois de a presidente Dilma reconhecer a contribuição do ex-presidente para o país, em felicitação pelos 80 anos. No último parágrafo, há uma autocrítica à sigla. Ele diz que o PSDB tem "um só possível inimigo: a desunião interna". A Folha apurou que o trecho foi amenizado. Na versão original, a expressão "possível" não existia.Logo após, o texto aponta um dos motivos da desunião, em referência ao principal ponto de tensão entre Serra e Aécio Neves: a "antecipação das decisões sobre alianças e candidaturas em 2014".

E o petista?

Do Painel da Folha:

#ok? Em viagem à Itália mesmo antes do recesso, a senadora Kátia Abreu (DEM-TO) respondeu no Twitter a perguntas sobre quem bancou o passeio: "Fui a Roma com recursos dos meus bois e dos eucaliptos que planto".

A senadora informou, antes da viagem, que estava acompanhando uma missão oficial do governo do Tocantins junto ao Vaticano,  com o intuito de participar da Solene Ação Litúrgica de Imposição do Pálio ao Arcebispo Metropolitano de Palmas, Dom Pedro Brito Guimarães. O deputado Vicentinho, do PT, também acompanhou a missão. Perguntaram a ele quem pagou a viagem? 

Pegou mal.

Com o recuo do governo federal em apoiar a fusão com dinheiro público entre Pão de Açúcar e Casino, transformando o BNDES em quitanda très chic, quem ficou com o pincel na mão foram os ministros Fernando Pimentel, do Desenvolvimento, e Gleisi Hoffmann, da Casa Civil. Saíram na defesa da negociata com argumentos pífios. O primeiro atacando os bancos privados, quando o Pactual está colocando R$ 700 milhões na operação. A segunda dizendo que não havia dinheiro do Tesouro Nacional na operação, quando o BNDESpar é uma instituição formada por uma única ação que pertence ao BNDES.

Operação "Eu não sabia".

Do Painel da Folha:

O governo fez ontem um conjunto de movimentos na tentativa de estancar a repercussão negativa à participação do BNDES no projeto de fusão entre Pão de Açúcar e Carrefour. Inicialmente, Dilma Rousseff determinou a Luciano Coutinho dizer que o banco oficial só entrará no negócio se houver acordo entre Abílio Diniz e seus sócios da rede Casino -algo para lá de improvável. Ao mesmo tempo, auxiliares palacianos trataram de divulgar que a presidente não sabia de todos os detalhes ao dar seu aval à operação. Para completar, ministros procuraram deixar claro que, no Planalto, há controvérsia sobre o negócio.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Para José, o Serra.

E agora, José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, José? e agora, Você? ( Carlos Drummond de Andrade)

Depois da festa dos 80 anos de FHC, puxada por Serra, a oposição acordou. Chega de trégua. Força, José!

Marieta não é Chico.

Da Folha Poder, mostrando que Marieta Severi preserva a sua biografia:

Marieta Severo recusou o convite para interpretar a presidente Dilma Rousseff no cinema. A informação foi divulgada pela assessoria de imprensa dela nesta sexta-feira (1º). Segundo nota à imprensa, ela terá outros compromissos no cinema na mesma época das filmagens. Ela havia sido convidada pelo produtor Antonio de Assis, que está à frente do longa baseado no livro "A Primeira Presidente", do jornalista Helder Caldeira. As gravações tem previsão de serem iniciadas em 2012.

Tropa de elite do PSDB mostra qual é a sua missão.

Documento publicado hoje pelo Conselho Político do PSDB, denominado "A Nova Missão". O grupo presidido por José Serra é composto pelos governadores Marconi Perillo (GO) e Geraldo Alckmin (SP), pelo senador Aécio Neves (MG), pelo presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Segue na íntegra:

Esta foi a primeira reunião do Conselho Político do PSDB, poucos dias depois do aniversário de 80 anos do seu presidente de honra, Fernando Henrique Cardoso. Ainda que lentamente, vem-se recobrando a razão no debate público. É mais freqüente hoje do que ontem o reconhecimento de que os oito anos do governo do PSDB, comandados por Fernando Henrique, tiraram o Brasil de algumas situações de atraso crônico; deram cabo da super-inflação; criaram a Rede de Proteção Social; marcaram um formidável avanço nas políticas sociais universais, como na  Educação, comandada pelo grande ministro Paulo Renato, que nos deixou, mas deixou uma obra inapagável;  ou na Saúde, quando o SUS afirmou-se como instituição fundamental da nossa sociedade; marcaram o compromisso do país com a responsabilidade fiscal e, junto com tantas conquistas, fortaleceram a democracia. À medida que o tempo passa, não temos dúvida de que a obra de Fernando Henrique e do PSDB se agigantam.
 
Justamente porque temos este passado, cresce a nossa responsabilidade com o presente e com o futuro. Porque, de fato, aquele passado é um fato bem  vivido: nós criamos alguns marcos do Brasil moderno que, é bem verdade, foram em parte absorvidos ou reciclados por nossos adversários, embora submetidos, muitas vezes, a um administrativismo sem ousadia e sem imaginação, quando não improvisado,  ineficiente e patrimonialista. Não conseguiram herdar do PSDB a capacidade de planejar e de preparar o país para desafios futuros, como fizemos. Hoje, mais do que ontem, já se reconhece que boa parte das conquistas do país se deve à nossa régua e ao nosso compasso.

Então, temos claro que é preciso avançar. Muita coisa está parada no país; outras tantas funcionam precariamente. Porque faltam ao governo clareza, convicção, propósito e, é forçoso dizer, competência. Feliz o partido que pode homenagear, então, um Fernando Henrique Cardoso e um Paulo Renato. Um partido vale não apenas pelos quadros que dispõe, mas também por aqueles que homenageia. Isso nos diz que se trata de um partido com passado e com futuro. Para o bem do Brasil.

Desenvolvimento e emprego
A maior necessidade no Brasil nas próximas décadas é criar muitos empregos de boa qualidade, que proporcionem melhor padrão de vida para as famílias, mais acesso a bens materiais e culturais, mais saúde, mais futuro.
Até 2030, mais de 145 milhões de pessoas de pessoas precisarão de postos de trabalho.  Para enfrentar esses desafios, é preciso que a economia cresça de forma rápida e sustentada. Durante o mandato de Lula, graças ao seu talento de animador e à publicidade massiva, criou-se a impressão de que a era do crescimento dinâmico havia voltado para ficar.  Impressão, infelizmente, sem fundamento.

A herança maldita
O mais preocupante, em todo caso, não é esse desempenho modesto, mas as travas que o governo Lula legou ao crescimento futuro do país:
1. O perverso tripé macroeconômico: temos a carga tributária mais alta do mundo em desenvolvimento; a maior taxa de juros reais de todo o planeta, ainda em ascensão, e a taxa de câmbio megavalorizada. A isso se soma uma das menores taxas de investimentos governamentais  do mundo.
2. O gargalo na infraestrutura: energia, transportes urbanos, portos, aeroportos, estradas,  ferrovias, hidrovias e navegação de cabotagem. Um gargalo que impõe custos pesados à atividade econômica e freia as pretensões de um desenvolvimento mais acelerado nos próximos anos.
3. As imensas carências em Saneamento, Saúde e Educação, que seguram a expansão do nosso capital humano.
4. A falta de planejamento e de capacidade executiva no aparato governamental, dominado pelo loteamento político, pela impunidade, quando não premiação, dos que atentam contra a ética, e por duas predominâncias: do interesse político-partidário sobre o interesse público, e das ações publicitário-eleitorais sobre a gestão efetiva das atividades de governo.

Nem convicção nem rapidez
Sem poder reclamar publicamente da herança recebida, o novo governo promete que vai enfrentar os desafios, mas mostra falta de convicção e de rapidez, além de desorientação em matéria de prioridades, cujo símbolo maior é o trem-bala SP/RJ, sem dúvida o projeto de investimento mais alucinado de nossa história, não só pela precariedade técnica e pela inviabilidade econômico-financeira, como também pelo volume de recursos que exigiria.

A falta de convicção apareceu na crise do sistema aeroportuário, onde, depois de anos demonizando as privatizações, o PT e a presidente Dilma concluíram que melhor mesmo é privatizar. Depois de oito anos e meio, não têm, é claro, projeto algum nessa área, e só a modelagem necessária à licitação das concessões demorará até meados do ano que vem, enquanto o colapso dos aeroportos continuará a martirizar os passageiros.

A falta de rapidez fica visível em face dos quatro anos de atraso das providências para a Copa do Mundo. Assunto no qual, em vez de resolver os problemas, o atual governo optou pelo atropelo, tentando promover mudanças na legislação que transformarão as obras públicas em puros negócios privados, como se os donos do poder fossem os donos do patrimônio e do dinheiro dos contribuintes. Vêm aí superfaturamentos, atrasos e outros desperdícios de dinheiro público numa escala inusitada em nossa história.

Como regra, o governo vai atrás, bem atrás, dos acontecimentos e nem assim toma iniciativas efetivas. No ano passado, alegavam que nossas fronteiras - das mais escancaradas do mundo ao contrabando de armas e drogas -  eram as mais guarnecidas do planeta. Isso foi recentemente desmentido por grandes reportagens, e só por essa razão, depois de cortar recursos da vigilância do setor, o governo anunciou um grande plano, de corte puramente publicitário. Como o plano contra o crack, que nunca saiu do papel, e nem é essa a intenção dos responsáveis pela área, que negam a gravidade do problema. Ou, então o novo “plano” contra a miséria, um mero requentado publicitário do Fome Zero,  uma iniciativa que deu certo na propaganda, mas que nunca existiu na realidade.

No meio ambiente, o governo tampouco tem personalidade definida, no seu já  clássico zigue-zague. Procura parecer ortodoxamente ambientalista no debate do Código Florestal e é ortodoxamente anti-ambientalista no atropelo para fazer andar a hidrelétrica de Belo Monte. Radicalizou desnecessariamente nos dois casos, pois havia terreno para entendimento no Congresso Nacional e na sociedade sobre o novo código, e há também como encaminhar a utilização do potencial hidrelétrico de uma maneira ambientalmente e socialmente responsável.

Desindustrialização
No começo do mandato da atual presidente, divulgou-se a chegada de uma novíssima política econômica, em que o crescimento não mais ficaria constrangido pela luta anti-inflacionária. A inflação seria combatida com crescimento. O resultado foi a deterioração das expectativas, o pânico diante das ameaças de reindexação e um recuo desorganizado - uma rota de fuga para uma ortodoxia, diga-se,  de má qualidade.

O PIB contratado para este ano é medíocre, acompanhado de inflação perigosamente alta. O governo promete fazê-la convergir para a meta no ano que vem, mas já sinalizou que vai fazer isso prolongando o aperto monetário e o pé no breque do crescimento. Em resumo: depois das indecisões e vacilações na largada, vão acabar comprometendo pelo menos dois anos - metade do mandato. E, como a âncora exclusiva do ajuste é a cambial, isso causará um estrago ainda maior na indústria brasileira. O crescimento medíocre produz resultados pobres, principalmente no emprego. Fica escondido o fato de que  a maioria das vagas criadas nos últimos anos paga  salários menores. Na faixa dos melhores empregos, os mais qualificados, o que se vê é estagnação ou o retrocesso. O desemprego entre os jovens está cada vez mais grave.


Emprego de qualidade depende também de indústria forte. E o binômio perverso juros-câmbio impõe o arrocho e a incerteza à indústria brasileira, que enfrenta dificuldades crescentes para competir no exterior e observa impotente a invasão de produtos estrangeiros a preços que sufocam a produção nacional. Estamos vivendo, sim, um processo de desindustrialização, como se o modelo agro-minerador pudesse proporcionar, por si só, os 145 milhões de bons empregos de que necessitaremos daqui a menos de 20 anos.

O que existe de atividade mais dinâmica resulta dos investimentos do petróleo ( mesmo atrasados, superfaturados e desorganizados), da agricultura e do dinheiro que vem de fora para especular. Na agricultura, porém, o governo ainda insiste em cevar o clima que criminaliza os produtores. Já o dinheiro externo vem para dançar a ciranda financeira e garantir os maiores rendimentos do mundo. Uma vez anabolizado, vai embora feliz da vida. Hoje, a fraqueza das nossas exportações nos torna dependentes do capital que faz uma escala e pode cair fora. Enquanto isso, nossa taxa de investimentos continua cronicamente baixa. E o déficit em conta corrente do balanço de pagamentos, neste ano, da ordem de 65 bilhões de dólares, será o terceiro ou quarto maior de mundo.

Política Externa: quase más de lo mismo
Algo parecido acontece nos direitos humanos. Depois de tentar empurrar o Brasil para uma aliança estratégica com o Irã, cujo governo ditatorial prega um segundo Holocausto contra os judeus, o PT sentiu a rejeição da opinião pública, ensaiou um recuo, passou a dizer que os direitos humanos iriam adquirir centralidade na política externa brasileira. Mas a coisa ficou só no plano das declarações. Na prática, o governo do PT apoia o regime da Síria no massacre contra os movimentos a favor da democracia naquele país. Neste capítulo, um momento triste foi quando a presidente deu as costas à Prêmio Nobel da Paz iraniana Shirin Ebadi, para não melindrar o aliado Mahmoud Ahmadinejad. Parece que a atração do governo petista pelas tiranias segue inabalável.

É a verdade revelada na sua face mais cruel. O governo do PT é a favor de promover os direitos humanos em países governados por adversários do PT. Quando se trata de governos amigos do petismo, prefere-se o silêncio diante das violações, dos abusos, dos massacres. Para os amigos, as conquistas da civilização; para os nem tanto, a lei da selva. Não foi por menos, aliás,  que o  momento da vergonha veio quando o governo do PT decidiu afrontar a democrática Itália e dar proteção a um assassino comum, Cesare Battisti, só por ele ter amigos no PT.

O papel da oposição
Como oposição, temos o dever de acompanhar, estudar todas as principais questões nacionais a fundo, ver como vivem e sentir o que pensam as pessoas de todo o país, criticar, fiscalizar, cobrar promessas e apontar caminhos. Sem, no entanto, pretender virar governo no exílio, como reza a tradição tucana, de onde não vencemos a eleição.
A incompetência e o autoritarismo são as marcas deste governo, e o PSDB não renunciará à denúncia desses atos e buscará mobilizar a sociedade brasileira para superar este período difícil. Outros momentos da história do Brasil mostraram que governos com maiorias acachapantes no Congresso podem ser enfrentados por meio da mobilização social e política da sociedade pela democracia e pelo desenvolvimento. Essa é a nossa missão e a ela não renunciaremos.

Combatividade e unidade

O texto anterior procura sistematizar a análise da conjuntura política brasileira, que deveria passar a ser rotineiramente (a cada dois meses) debatida em todos os diretórios locais do partido, em todo o Brasil. Do mesmo modo, cada diretório deve produzir sua carta de conjuntura local, para ser debatida pelos seus militantes e conhecida pelos órgãos superiores do partido.
Temos um mundo de ações a fazer, pelo bem do nosso povo e do nosso país. Temos adversários políticos e um só possível inimigo: a desunião interna. Para mantê-la afastada, temos de insistir em duas condições.  Em primeiro lugar, a  combatividade das nossas direções, em todos os níveis,  evitando o  esmaecimento dos compromissos políticos e ideológicos dos militantes. Em segundo lugar, não antecipar as decisões sobre alianças e candidaturas em 2014; neste momento,  as nossas tarefas essenciais  são de reflexão, combate e reorganização do partido, em todo o Brasil.

Folha ouve ONGs e não investiga. Aí publica mentiras e faz papel de boba.

Do excelente Blog do Código Florestal, complementando o post abaixo, sobre o desmatamento da Amazônia:

Hoje a Folha de São Paulo trouxe mais uma sofisma com jeitão de notícia sobre o desmatamento na Amazônia. O jornal sugere uma verdadeira epidemia de desmatamento químico grassando na Amazônia. Agora veja a patacoada do jornal:
Clique na imagem para ver ampliada
Se você tem o Google Earth instalado em seu computador CLIQUE AQUI e veja onde fica esse desmatamento detectado pelo sistema de monitoramento do Inpe.

Esse desmatamento de 107,2 hectares detectado pelo sistema de monitoramento no dia 22 de maio de 2011 ocorreu dentro de uma área de mineração de bauxita. Foi desmatamento legal, autorizado pelo governo, feito com licença ambiental. Pior, o desmatamento ocorreu dentro do município de Paragominas, onde um pacto pelo desmatamento zero acabou com o desmatamento ilegal. Paragominas foi um dos primeiros municípios a zerar o desmatamento ilegal e é reconhecido por isso.

Mas o jornal trata como se fosse desmatamento criminoso inclusive associando indiretamente a prática com o desmatamento químico detectado pelo Ibama em um único ponto isolado em Rondônia. O jornal faz parecer que todos os desmatametno ocorridos nos útimos meses foram desmatamentos químicos, vendendo a idéia de que o problema é muito maior do que é de verdade.

Matérias como essa são replicadas aos milhares pelos idiotas úteis das ONGs. O jornal sabe que construir esse tipo de sofisma fará com que as ONGs usem seu aparato nas "redes sociais" para linkar o artigo e não tem escrúpulo de sofismas em troca de audiência. Eis aí no que a nossa imprensa está se tranformando. A Folha está cosntruíndo "verdades" falsas para, como se dizia antigamente, "vender jornal". Se você não tem o Google Earth instalado veja aqui alguns prints


Clique na imagem para ver ampliada
Tô com uma curiosidade danada pra ver se o sistema de monitoramento do desmatamento do Imazon vai pegar esse spot de desamento em Paragominas ou se o sistema deles só pega desmatamento onde é do interesse deles que o desmatamento apareça, como a região de Belo Monte e das usinas hidroelétricas do Rio Madeira. Clique aqui e veja o texto goebbeliano da Folha: Ibama flagra uso de aviões em desmatamento na Amazônia

Blogueiro progressista do PIG está enrolado com a PF.


Prometia ser a apoteose de uma batalha épica e histórica. A vitória cívica do idealismo sobre a patifaria. Um delegado heróico e um juiz corajoso enfrentam o sistema, um tubarão de colarinho branco e derrotam o poder econômico colocando bandidos na cadeia. Mas o que começou como uma das mais belas fábulas contemporâneas, cheia de idealismos, agora desponta para um caso de podridão. A operação satiagraha, que alimentou as ilusões de muita gente, concluiu a Justiça, não passou de uma farsa. Pior: uma farsa comprada.

O ex-delegado Protógenes Queiroz, mesmo protegido por um mandato parlamentar, é alvo de inquérito no Supremo Tribunal Federal por interceptação telefônica ilegal, prevaricação e corrupção passiva. As suspeitas baseiam-se em dados apimentados. Seu patrimônio teria aumentado vinte vezes depois que entrou nessa luta do bem contra o mal. Protógenes e seu ex-chefe, Paulo Lacerda teriam vendido a operação satiagraha a empresários que queriam o naco de Daniel Dantas no mercado nacional de telefonia.

No Inquérito que se encontra no Supremo Tribunal Federal, sob número 3.152, aparece o nome do empresário que teria financiado de maneira oculta a operação: Luís Roberto Demarco de Almeida. Diretor demitido do Opportunity, ele é descrito no inquérito como alguém que fez fortuna especializando-se em prestar serviços para os adversários de Dantas.

Conforme o despacho assinado pelo juiz federal Toru Yamamoto, que encaminhou o Inquérito 3.152 ao STF quando Protógenes tornou-se deputado, Demarco não é o único investigado por corrupção ativa nessa história escabrosa. O empresário Paulo Henrique Amorim, que se apresenta como um paladino do combate ao crime, responde pela mesma acusação de seu parceiro. Leia mais aqui. 

Petista acha que oposição deveria ter denunciado o hacker da Dilma.

É muito espertinho o senador Walter Pinheiro, do PT da Bahia. Ele está cobrando que a oposição deveria ter  denunciado o hacker que violou o email da Dilma. "Será que recusaram e ficaram em silêncio após vasculhar e analisar as informações e concluir que não haveria dividendos eleitorais?",questiona o senador. Se hoje o senador tira esta conclusão ridícula, safada e carregada de mau caratismo, imaginem o que a turma de aloprados petistas não faria durante a campanha eleitoral. E o tal Douglas, será que não diria, à época,  que foi o Serra quem mandou e encomendou? Esta história, surgida exatamente no momento em que ressurge o caso dos aloprados, fica cada vez mais com cara de armadilha.

Desmatamento da Amazônia: 0,08% ao ano é muito?

Olha só o sensacionalismo:

O desmatamento da Amazônia subiu 144,4% em maio deste ano, comparado ao mesmo mês do ano passado. O dado é do sistema de alerta do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) chamado Deter, que é rápido e menos preciso. Os satélites mostram que foram desmatados 267,9 quilômetros quadrados em maio de 2011. Em maio de 2010, foram 109,6 km². (Folha de São Paulo, de hoje)

A Amazônia brasileira possui cerca de 4.000.000 de km2 de florestas nativas. O desmatamento anual vem mantendo uma média de 3.500 km2. Ou 0,08% da área. Neste ritmo, seriam necessários mais de 100 anos para desmatar 10% da floresta amazônica. É preciso fiscalizar, impedir, multar, prender. No entanto, é bom que a imprensa evite entrar no lero-lero catastrofista das ONGS internacionais. Quanto mais barulho em torno do assunto, mais dinheiro enchem os bolsos dos ongueiros. O Brasil possui mais de 60% da sua área em florestas. É o pulmão do mundo. No entanto, é preciso reduzir o desmatamento às suas devidas proporções. O novo Código Florestal prevê que apenas 20% da Amazônia pode ser utilizada para a agropecuária. Os outros 80% permanecerão intocados. Assim como existem políticos corruptos e ongueiros safados, também existem madeireiros fora-da-lei. Cadeia para todos. E jornalista mal informado ou mal intencionado, sem a mínima capacidade de análise do todo, deveria ter o registro cassado.

PSD vai ser criado rigorosamente dentro da lei vigente.

Mesmo com todos os mortos e principalmente todos os "vivos" tentando barrar o surgimento do quarto maior partido brasileiro, o PSD será registrado antes do final de julho, segundo informa a coluna de Ilimar Franco, em O Globo:

O PSD vai se registrar nos TREs de 16 ou 17 estados entre os dias 15 e 20 de julho. O pedido de registro será acompanhado de 500 mil a 600 mil assinaturas de apoiamento certificadas. O prefeito Gilberto Kassab (São Paulo) planeja fazer a primeira convenção nacional e registrar seu primeiro diretório nacional no TSE na primeira quinzena de agosto. O partido teria hoje 43 deputados e dois senadores. Mas há outros esperando para embarcar no PSD. Sobre as ações para impedir sua criação, Saulo Queiroz minimiza: "Vai tudo muito bem. Se o PMDB, o PT e a presidente Dilma estivessem contra nós, seria mais difícil; mas se o nosso adversário é o DEM não dá para ficar com medo".

(Este blog apóia o surgimento do PSD desde o momento em que o Maia do DEM rasgou a ata e entregou o partido para Aécio Neves.  Um partido que tem Raimundo Colombo, Kátia Abreu, Guilherme Afif Domingos, entre outros, que apóia (e tem o apoio) da ala de Serra no PSDB, é muito bem-vindo. E não venham com o nhem nhem nhem de adesismo, de fisiologismo, de outros ismos, pois tudo isso é "plantado" por uma imprensa que gosta da Marina Silva - que não produz um grão para o Brasil! - e que muitas vezes questiona a Kátia Abreu, que comanda 21% do PIB e U$ 60 bilhões de superavit na balança comercial. Bem-vindo, PSD. Por falar nisso, o DEM já declarou oficialmente que é de direita? )

O aparelhamento do BNDES.

Matéria do Valor Econômico mostra que, além da estupidez de transformar o BNDES em sócio de quitanda très chic,  ainda existe uma altíssima insegurança jurídica na operação de fusão do Pão de Açúcar com o Carrefour. Ao que tudo indica, o banco estatal brasileiro estaria participando de uma ilegalidade, destinada a rasgar um contrato para favorecer um apoiador e doador explícito da campanha de Dilma Rousseff. Leia abaixo.

A participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) na mais recente tacada do empresário Abílio Diniz é injustificável. Depois de negar durante várias semanas, Abílio Diniz teve de revelar finalmente que estava negociando a fusão da rede de supermercados Pão de Açúcar com a filial brasileira do grupo francês Carrefour. A megafusão só pode se concretizar com a participação financeira do BNDES, que prometeu entrar com € 2 bilhões no negócio por meio da BNDES Participações (BNDESPar), o seu braço de participações acionárias. Não haverá financiamento a juros subsidiados. Se o negócio for concretizado, o BNDES vai ter 18% da nova empresa e vai entrar no ramo de venda de frutas e verduras.

O governo, por meio do BNDES, pode e deve apoiar a capitalização das empresas, quando isso for justificável, o que não parece ser o caso da criação do Novo Pão de Açúcar (NPA). Em primeiro lugar porque a operação irá capitalizar uma empresa estrangeira, o Carrefour, em dificuldades, é verdade, mas que tem capacidade de obter recursos no mercado internacional. A BNDESPar participa do capital de cerca de 150 empresas, totalizando R$ 90 bilhões, mas elas são eminentemente de capital nacional. 

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, defendeu a participação do BNDES no negócio atacando os bancos brasileiros. "Tudo seria resolvido se o setor financeiro privado do Brasil fizesse o papel dele, que é financiar o capital brasileiro. Como ele não faz isso, o BNDES tem de atuar", afirmou. A crítica não se justifica porque está na operação o banco brasileiro BTG Pactual, que se juntou às discussões há pelo menos um mês e deverá entrar com cerca de R$ 700 milhões, que lhe garantirá 3,2% do capital do NPA, além de acenar com mais R$ 1,1 bilhão em crédito. 

Outro motivo que põe em dúvida a operação é a reação contrária do Casino, o que significa uma incerteza jurídica. Sócio do Pão de Açúcar desde 1999, o grupo francês Casino aumentou sua participação em 2005, quando selou um acordo de acionistas que lhe garantiu a possibilidade de exercer uma opção de compra que lhe daria o controle do negócio brasileiro em 2012. Se Diniz for bem-sucedido, além de não obter o controle, seu sócio francês será diluído. O Casino não deve jogar a toalha facilmente e até já contratou o advogado criminalista José Carlos Dias para reforçar o batalhão de especialistas jurídicos que duelam no caso, desde que os franceses descobriram a "traição", há cerca de um mês, e entraram na Justiça com um pedido de arbitragem. Leia mais aqui.

O vitimismo de Marina.

O título do editorial de O Globo é o resumo da pensamento coletivo e bovino da imprensa em relação à Marina Silva: " Marina é vítima da ditadura partidária". Deveria ser diferente e estaria mais correto: " Marina é derrotada pela democracia partidária". Marina Silva jamais teria feito 20 milhões de votos se não usasse a sigla mágica "partido verde". Mesmo ainda no PT, assumindo a rentável bandeira ambientalista, ela perpetrou verdadeiros absurdos contra o país, fazendo aprovar, enquanto petista e ministra, uma legislação que colocou milhões de  agricultores na mais absoluta insegurança jurídica. Algum jornalista, algum dia, perguntou quantas toneladas de comida deixaram de ser produzidas pelo efeito Marina no Ministério do Meio Ambiente? E quantas pessoas passaram fome por causa disso? OK, façam as perguntas por outro lado: o que o Brasil ganhou reanzando pela cartilha das ONGs internacionais e atendendo organismos da ONU aparelhados por corruptos pagos para defenderem os interesses dos grandes países?

Na imprensa brasileira, Marina Silva sempre aparece como a Santinha do Mogno Oco, a pobrezinha que veio da selva, a coitadinha que saiu do nada para se transformar neste fenômeno político. Marina Silva, ao contrário, é fria e calculista. Sabe usar muito bem os seus olhinhos atravessados e a sua carinha feia para fazer com que as pessoas pensem: nossa, poderá haver maldade neste serzinho tão frágil? Pode e há. Em relação ao PV, Marina Silva está sendo vítima do que não gosta: da democracia. Se gostasse de democracia, ela iria até o STF para mudar as coisas dentro da legenda. No entanto, a nossa Mogli quer ser uma unanimidade, não quer se rebaixar diante das leis e do direito. Nunca quis. Ditadura partidária vai ocorrer quando ela montar o seu próprio partido. Aí sim a imprensa brasileira vai descobrir a verdadeira Marina. Aliás, quem conhece a Marina é o Acre, de onde ela veio e onde ela construiu a sua carreira política e não a sua carreira de marketing. Olhem a votação que ela obteve lá para medir o seu tamanho e a sua importância.

Cabralhice.

Clique sobre a imagem para ampliar e ler a coluna de Dora Kramer, no Estadão.

Petistas se perguntam entre si: serei eu?

Nelson Jobim ataca os idiotas do governo. E os petistas, perplexos, se perguntam: serei eu, Jobim? A matéria é da Folha de São Paulo:

O ministro Nelson Jobim (Defesa) fez um discurso ontem na homenagem ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que foi interpretado como sinal de insatisfação com sua situação no governo Dilma Rousseff. Começou dizendo que faria um "monólogo" dedicado a FHC -de quem foi ministro da Justiça e que o indicou para o Supremo Tribunal Federal-, e que deixaria "vazios" que o tucano iria "compreender perfeitamente". Jobim elogiou o estilo conciliador do ex-presidente. "Nunca o presidente levantou a voz para ninguém. Nunca criou tensionamento entre aqueles que te assessoravam", disse. A referência foi interpretada como uma alusão ao estilo duro de Dilma com seus auxiliares. "Se estou aqui, foi por tua causa", afirmou, sem mencionar Lula nem Dilma.

Disse que, quando presidente, FHC construiu "um processo político de tolerância, compreensão e criação".
"E nós precisamos ter presente, Fernando, que os tempos mudaram." E citou Nelson Rodrigues: "Ele dizia que, no seu tempo, os idiotas chegavam devagar e ficavam quietos. O que se percebe hoje, Fernando, é que os idiotas perderam a modéstia. E nós temos de ter tolerância e compreensão também com os idiotas, que são exatamente aqueles que escrevem para o esquecimento". Esse encerramento da fala provocou perplexidade em governistas da plateia. "O que ele está querendo dizer?", indagou um petista. Questionado sobre a fala, FHC disse que não viu nenhuma tentativa de fazer "comparações". Sobre os "idiotas", FHC sorriu e concordou: "É, aquilo foi forte". Já o presidente do Instituto Teotonio Vilela, Tasso Jereissati, avaliou que o titular da Defesa "fez um discurso cheio de recados". Aliados do ministro dizem que ele está, de fato, insatisfeito com Dilma. Recentemente se queixou a correligionários de que não é convocado para opinar política e direito, como Lula fazia. Ele também ficou incomodado com o corte do orçamento de sua pasta. Assessores da Defesa negam que Jobim tenha manifestado a vontade de deixar o cargo. Hoje pela manhã o ministro tem audiência agendada com a presidente.

Receita para o PT: hackers na "inteligência" , blogueiros progressistas na informação.

"Quando vários sites do governo são invadidos e o ministro da Ciência e Tecnologia diz que quer convidar "os hackers" para um encontro no ministério "para ajudarem a construir os indicadores e a forma da transparência", a coisa está feia: ou ele não sabe o que é um hacker ou pensa que pode usá-los como os "blogueiros progressistas", pagando-os com patrocínios estatais. Astuto e sagaz como um Suplicy, Mercadante pensa que um hacker é um cracker do bem, que pode ser cooptado. Ele quer conversar, ele acredita no diálogo democrático (rs). Ele nunca ouviu falar do cybergenio do mal Kevin Mitnick e de seu rival Tsutomu Shinomura, que protagonizaram o mais célebre e sensacional duelo de hackers da história digital. No final, Shinomura conseguiu rastrear Mitnick e o entregou ao FBI, mas depois também passou para o lado escuro do cyberespaço. 

Hackers de verdade invadem redes de computadores de bancos, de cartões de crédito, de companhias telefônicas, de governos, roubam bases de dados, inventam sistemas diabólicos de multiplicação de spams, não são lúdicos grafiteiros digitais do cyberespaço como crê o analógico ministro. Ele acha que os crackers são malvados que "invadem sistemas para divulgar mensagens politicas", mas acredita que os hackers são bonzinhos, que vão adorar conversar com ele no ministério, todos com os seus crachás de "hacker", tomar um lanche e acertar a data do "Hacker"s Day" patrocinado por uma estatal. Cuidado, ministro, se eles vierem, não são hackers: são nerds.

A ignorância e a ingenuidade do ministro sobre temas básicos de sua pasta envergonham, mas não surpreendem, são compatíveis com os conhecimentos de Edson Lobão sobre energia e a expertise de Pedro Novais em turismo. Só com seus currículos e experiência na área, a maioria dos atuais 37 ministros não conseguiria emprego, mesmo mal pago, em qualquer empresa privada séria. E certamente não passaria em nenhum concurso público para cargos de terceiro escalão nas pastas que ocupam. Quem sabe os hackers progressistas de Mercadante possam ser úteis nos "núcleos de inteligência" do PT nas próximas eleições? "

Coluna de Nelson Motta, hoje, em O Globo, intitulada " Perdidos no cyberespaço".

Cheiro de armadilha.

O hacker da Dilma pode muito bem ser o hacker da Dilma. Um hacker que sai por aí para vender dados sigilosos da presidente para a oposição e, com isso, passar para o outro lado a fama de produtor de dossiês. Outra possibilidade é usar um factóide para buscar uma legislação que amordace a internet. A matéria abaixo é da Folha de São Paulo: 

A pedido da presidente Dilma Rousseff, a Polícia Federal vai investigar o hacker que invadiu seu correio eletrônico pessoal durante a campanha eleitoral do ano passado e tentou vender um pacote de mensagens recebidas pela então candidata. Na manhã de ontem, Dilma reuniu-se com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, responsável pela PF, para discutir a investigação do episódio. A polícia começou logo cedo a debater uma estratégia para o caso. À tarde, o ministro divulgou nota anunciando que a PF irá abrir inquérito para apurar a "suposta invasão do correio eletrônico pessoal da presidenta Dilma Rousseff".

A Folha revelou ontem que as mensagens de Dilma foram violadas. O hacker, que disse se chamar "Douglas", está desempregado e mora em Taguatinga (DF), afirmou ter atacado o computador de Dilma e copiado cerca de 600 mensagens recebidas por ela. Um dos endereços eletrônicos que Dilma usava na época era do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha. Em conversa com assessores, a presidente Dilma disse não temer a divulgação do conteúdo dos e-mails. O que preocupa o governo é a possibilidade de uso político do material obtido pelo hacker.

Segundo a Folha apurou, o Palácio do Planalto teme que alguém acabe comprando os e-mails e possa incluir uma mensagem falsa no material, por exemplo. O governo não pretende confirmar a autenticidade dos e-mails enquanto a PF estiver debruçada sobre o caso, preferindo classificá-los como "supostas mensagens" obtidas "de forma criminosa" pelo hacker.

Ontem, o Diretório Nacional do PT confirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que havia identificado dois tipos de ataques em seu site em abril do ano passado, pouco antes do início da campanha eleitoral. O PT informou que, na madrugada de 12 de abril, hackers invadiram seu site e instalaram um programa que prejudicou o acesso ao portal. O programa teria permitido o acesso a dados de quem navegou na página do partido naquele período. Dois dias depois, um hacker modificou o layout da página do partido colocando no ar uma fotografia do ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB), que disputou com Dilma a eleição presidencial do ano passado.

Na época, ao perceber a invasão, o partido informou à PF e pediu providências. Ao mesmo tempo, os petistas contrataram técnicos para fazer uma limpeza nos seus computadores e orientaram os usuários do portal a fazer uma varredura em suas máquinas pessoais. Até hoje não se sabe o que a polícia descobriu ou se o episódio chegou a ser investigado. Procurada pela Folha para falar sobre os ataques sofridos pelo site do PT no ano passado, a polícia informou ontem que não se manifestaria.

Políticos reagiram ontem à violação das mensagens de Dilma cobrando medidas para regulamentar a internet e coibir a ação de hackers como o que invadiu o computador da então candidata. O vice-presidente Michel Temer cobrou uma ação do Congresso para definir punições mais severas contra hackers. "Eles invadem todo e qualquer site", disse. "O Congresso tem que se debruçar sobre esse tema e verificar de que maneira apenar aqueles que invadem os sites." O presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), classificou o ataque como "absurdo" e defendeu uma regulamentação mais rigorosa para a internet. "É preciso uma punição maior para empresas [que não protegem o sigilo do cliente]"

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Chavez confirma que é câncer.

Leia aqui, em espanhol. 

Abaixo, o vídeo.

FHC redimido.

Ele foi um grande presidente, independente se foi ele ou não quem fez o que foi feito. Ele estava à frente. Tanto do país quanto do seu tempo. Tudo começou sob a sua gestão. Absolutamente tudo.  Então, com todos os defeitos, que não são poucos, FHC sai redimido nas comemorações dos seus 80 anos. Até o PT reconheceu os méritos do grande presidente. Contra fatos, não há argumentos.

Serra assume o seu papel de maior líder da oposição.

Os últimos acontecimentos recolocam José Serra(PSDB-SP) como o grande nome da oposição ao governo. É dele a carta que está para sair criticando duramente o governo Dilma. São deles as críticas mais contundentes contra o PT. Hoje, coube a José Serra  encerrar a sequência de homenagens aos 80 anos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, na solenidade realizada no Senado. Em seu discurso, Serra alfinetou o PT, afirmando que Fernando Henrique "jamais buscou dividir o Brasil, muito pelo contrário, buscou unir".Numa crítica indireta ao governo do PT e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Serra destacou a postura do ex-presidente tucano que, segundo ele, não tomou atitudes que a oposição atribui aos petistas, como o "aparelhamento do Estado" e a utilização dos bens públicos como se fossem privados. Aécio Neves (PSDB-MG), recuperando-se de um tombo, enviou um vídeo.

Vídeo mostra a antessala do inferno.


O governo da Venezuela cancelou ontem a cúpula dos países da América Latina e do Caribe marcada para a próxima terça-feira, em comemoração ao bicentenário do país, dando como razão o estado de saúde do presidente Hugo Chávez. O comunicado de que Chávez está em "tratamento sumamente [altamente] estrito" em Cuba, feito na TV estatal venezuelana, dá fôlego aos rumores sobre o quadro clínico dele. Chávez se recupera de uma cirurgia feita no último dia 10. A versão oficial é que ele operou um abcesso (acúmulo de pus resultante de uma infecção) na região da pélvis. A imprensa local especula que teria câncer.

Momentos antes, ministros e apoiadores do governo haviam comemorado a exibição de um vídeo pela TV estatal em que Chávez conversa com seu mentor e maior aliado político, o ex-ditador cubano Fidel Castro. Bastante mais magro, o presidente venezuelano aparece de pé e caminhando. As imagens provariam, segundo o vice-presidente Elias Jaua, os anúncios do governo de que o presidente está "em franca recuperação".

Além da Calc (Cúpula da América Latina e do Caribe), que oficialmente foi adiada para o segundo semestre, o principal evento do bicentenário da Venezuela é uma parada militar, também terça. Uma dúvida agora é se Chávez conseguirá participar deste evento, de simbolismo único para ele, que se diz herdeiro do herói da independência, Simón Bolívar. A embaixada da Venezuela em Brasília afirmou que não há alteração prevista para as comemorações. No entanto, a presença de Chávez não está confirmada. O Planalto está aguardando uma confirmação oficial de que as comemorações vão, de fato, ocorrer para designar quem representará a presidente Dilma na cerimônia. Também não se sabe que dia Chávez retornará de Cuba, de onde vem governando à distância.

No último dia 22, o irmão do presidente, Adán Chávez, disse que ele deveria voltar "em 10 ou 12 dias" _ou seja, até a próxima segunda-feira. Oficialmente, o Itamaraty não demonstra preocupação com a saúde de Chávez. O chanceler Antônio Patriota, contudo, telefonou para o embaixador da Venezuela no Brasil, Maximilien Sanchez, na última segunda-feira, para obter informações sobre a saúde dele e desejar rápida recuperação. O adiamento foi um dos temas da cúpula do Mercosul, em Assunção. "[O cancelamento] foi recomendação médica. Nicolas Maduro [chanceler da Venezuela] teve a delicadeza de me ligar e avisar", disse Patriota. Ontem, antes de o governo brasileiro ser avisado do cancelamento, Marco Aurélio Garcia, assessor de política externa da Presidência, havia dito que Chávez voltaria ao seu país na próxima semana. "A informação que recebemos da Venezuela é que está tudo mantido", disse.

Tucanos começam a brigar às claras.

A realização de prévias para a escolha de candidatos a cargos majoritários voltou ao centro do debate no PSDB e aproximou o ex-governador José Serra à ala ligada ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. No comando do Conselho Político do partido, Serra tem trabalhado pela consulta aos filiados para a definição do postulante à Presidência em 2014, como forma de impedir que o senador Aécio Neves (MG) seja lançado candidato por um acordo da cúpula tucana.O grupo alckmista defende as prévias para evitar que o partido não passe por episódios semelhantes ao que aconteceu recentemente na escolha dos integrantes do diretório da capital paulista. Sem acordo, seis vereadores deixaram o partido alegando falta de espaço na sigla. Para o presidente do diretório municipal, Júlio Semeghini, as prévias ajudarão a unificar o partido. "Chegou a hora de o PSDB se reestruturar. Quem for derrotado na prévia saberá que a disputa foi aberta, limpa. Além disso, vai melhorar a nossa organização, nosso cronograma, porque o partido não ficará dependente da decisão de um nome na última hora. Quem quiser concorrer, vai ter de se manifestar na prévia", afirmou.

O líder do PSDB na Câmara dos Deputados, Duarte Nogueira (SP), disse que pesquisas internas do partido indicam a necessidade de prévias. "É importante ter essas regras claras para 2014", disse. Caberá ao Conselho Político, que fez sua primeira reunião ontem, em Brasília, definir as regras para a consulta: se todos os filiados terão direito a voto ou se serão apenas delegados do partido. O Estatuto do PSDB já possibilita a realização de prévias a cargos majoritários quando houver mais de um candidato, mas não obriga a consulta aos filiados. (Do Valor Econômico)

Açucar para eles, sal para o contribuinte e o consumidor.

Fundado em 1952, no segundo governo Vargas, o BNDE - sem o "s" de social - surgiu para ser o grande suporte financeiro da industrialização. Numa economia em que uma das doenças crônicas é a falta de financiamento de longo prazo para projetos de maturação demorada, o banco ocupou, e ocupa, espaço vital.
Nesta condição, o quase sexagenário BN DES, por ser estatal, tem sido usado como instrumento de toda sorte de programa, dos mais consequentes aos delirantes. Foi peça-chave na montagem da espinha dorsal da indústria automobilística no país, na siderurgia, mas também atuou na linha de frente na política de substituição de importações no governo Geisel, da qual, se restou capacitação técnica em algumas áreas, herdaram-se "esqueletos" nos armários da dívida interna, constituídos por pesados subsídios na criação frustrada de grandes grupos nacionais. Subjacente àquela enorme transferência de dinheiro público para alguns empresários eleitos, agravou-se o sério problema da distribuição de renda.

Na execução de uma série de medidas para se contrapor às pressões recessivas vindas de fora, geradas pela explosão do mercado de hipotecas nos Estados Unidos, o banco foi peça fundamental. Não poderia ser diferente. Ali, porém, a partir de 2009, na fase final do governo Lula, emergiu de maneira explícita, sob a justificativa da "política anticíclica", um projeto de converter - mais uma vez - o Estado no grande indutor do crescimento. Ressuscitou-se o geiselismo, inclusive com direito a dinheiro subsidiado em operações de apoio a empresários para serem "os campeões nacionais" na economia globalizada. Neste contexto é que se coloca a inadequada participação do banco para viabilizar a megaoperação de junção do grupo Pão de Açúcar e do Carrefour, e criar, no Brasil, de longe a maior rede de supermercados, uma empresa de R$65,1 bilhões de faturamento anual, só menor que a Vale e a Petrobras.

A rigor, o que tem a ver um banco estatal de fomento, num país como o Brasil, com fusão de redes varejistas? Nada. Pelos números divulgados na terça-feira, o BNDESpar, braço de participação em empresas do banco, entraria com R$3,91 bilhões no negócio, em troca de 18% do capital do Novo Pão de Açúcar, a surgir do negócio - caso Abílio Diniz consiga demover a resistência do sócio Casino, também francês como o Carrefour.

É risível a justificativa do banco de que a operação facilitaria a colocação de mercadorias brasileiras no exterior. Melhor caminho para aumentar as exportações nacionais é investir na infraestrutura portuária, rodoviária e ferroviária, sabidamente subdimensionada diante do tamanho que atingiu a economia. Não faz sentido gastar dinheiro subsidiado pelo contribuinte - mesmo que não fosse - para facilitar uma fusão que deve ser resolvida entre empresas privadas, da forma usual. Grupos fortes que são, têm acesso fácil ao crédito no mercado financeiro mundial.

O mesmo erro já foi cometido pelo BNDES numa fusão de frigoríficos, fora dos verdadeiros interesses estratégicos do país. Mais uma vez, a ideologia que move o projeto do "Brasil Grande", outra herança dos militares, pode desperdiçar volumosos recursos no plano obsessivo de criação de grandes empresas, enquanto as reais necessidades de investimentos públicos são deixadas de lado. ( Editorial de O Globo)

Cortina de ferro.

O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) pode ser de direita, mas é antes de tudo um autoritário, a ver pela medida que fez passar ontem na Comissão de Constituição e Justiça. Mesmo que o seu partido tenha rasgado a ata e vendido a alma para Aécio Neves (PSDB-MG), ele acha que mais da metade dos filiados está errado em querer fundar um novo partido. Demóstenes quer criar um Muro de Berlim, uma cortina de ferro para os políticos. O senador goiano deveria lembrar que o DEM que o elegeu não é mesmo DEM onde ele está. A matéria é da Folha de São Paulo:

O Senado aprovou ontem uma proposta que ameaça com perda de mandato os políticos que deixarem seus partidos para participar da fundação de outra sigla. Batizada de "emenda Kassab", a mudança elimina a principal brecha nas regras de fidelidade partidária instituídas pela Justiça Eleitoral. A proposta ainda precisa ser aprovada na Câmara para virar lei. Se isso acontecer, a desfiliação para criar uma nova legenda passará a ser considerada "justa causa" para a perda de mandato. O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, e a ex-senadora Marina Silva devem ser os maiores prejudicados.

Eles tentam convencer aliados a abandonar o DEM e o PV, respectivamente, para acompanhá-los na criação de novos partidos. O texto também ameaça os mandatos de políticos que deixarem suas legendas durante processo de fusão, que afrontem o programa partidário ou que cometam "grave discriminação pessoal". A mudança foi sugerida pelo senador Demóstenes Torres (DEM-GO), cujo partido tenta estancar a debandada promovida por Kassab.

Ausência de Aécio impede PSDB de decidir carta de Serra com duras críticas contra governo. Uai, ele já assumiu?

O ex-governador de São Paulo José Serra apresentou ontem ao Conselho Político do PSDB uma carta com duras críticas ao governo da presidente Dilma Rousseff. Em tom acima do que vem sendo adotado por tucanos, ainda não foi aprovada. O empecilho à divulgação do texto foi a ausência, por motivo de saúde, de seu principal rival no partido, o senador Aécio Neves (PSDB-MG). Por sugestão do presidente da legenda, Sérgio Guerra (PE), passará pelo mineiro antes de ser divulgado. A Folha apurou que o governo Dilma chega a ser classificado no documento de "incompetente" e "autoritário". Segundo Serra, a carta, que terá a assinatura do Conselho Político, será divulgada amanhã após ajustes.

Realizada ontem na sede do PSDB, em Brasília, foi a primeira reunião do Conselho Político. É formado por Serra, que o preside, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, os governadores Geraldo Alckmin (SP) e Marconi Perillo (GO), Guerra e Aécio -único ausente. Segundo um dos presentes à reunião, o esboço da carta foi aprovado. Diz Guerra que o documento não tem o objetivo de criar barulho. FHC, que vem mantendo relação cordial com Dilma, evitou comentar. Questionado ao lado de Serra se a hora era de ser mais duro com ela, disse: "Eu sigo o Serra." Depois, após a insistência de repórteres, brincou: "Vocês querem que eu fale mal da minha presidente?". "O governo não tem um rumo claro ainda", disse Serra, também evitando entrar em detalhes sobre o tom do documento. "É uma análise, não é um manifesto."  ( Da Folha de São Paulo)

Douglas, vende para o Mercadante!

Da Folha de São Paulo:

Um hacker invadiu o correio eletrônico pessoal da presidente Dilma Rousseff e copiou e-mails que ela recebeu durante sua vitoriosa campanha à Presidência da República, no ano passado. O rapaz tentou vender os arquivos a políticos de dois partidos de oposição, o DEM e o PSDB, mas disse que não teve sucesso.A Folha encontrou-se com o hacker segunda-feira, num shopping de Taguatinga (DF), a 20 km de Brasília. Ele não quis se identificar. Disse que se chama "Douglas", está desempregado, mora na cidade e tem 21 anos.Ele afirmou que fez um ataque ao computador pessoal da então candidata em duas etapas e copiou cerca de 600 mensagens da sua caixa de entrada. Um dos e-mails que Dilma usava na época era do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha.

Ele disse que primeiro invadiu o site do diretório nacional do PT na internet e se aproveitou de uma vulnerabilidade da página para copiar e-mails pessoais de petistas e outros dados. Depois, "Douglas" disse que despejou no computador de Dilma um programa capaz de armazenar tudo o que ela digitasse em sua máquina. O hacker disse que decidiu vender as informações por estar "preocupado" com o nascimento do primeiro filho, previsto para breve. "Douglas" também pediu dinheiro à Folha em troca das mensagens. A Folha não paga pelas informações que publica e recusou a proposta.

O rapaz foi com os repórteres a uma lan-house onde mostrou, de relance, o conteúdo de 30 e-mails armazenados num disco rígido externo. Ele não permitiu que a Folha fotografasse ou copiasse as mensagens. A amostra que ele exibiu continha resultados de exames de saúde que Dilma teria feito em Porto Alegre (RS), instruções para a campanha eleitoral do segundo turno e uma agenda telefônica com dados de parentes e assessores da presidente. O pacote também incluía cópia do pedido feito pela Folha para ter acesso a arquivos de Dilma no Superior Tribunal Militar, mantidos em sigilo na época, depoimentos ligados ao escândalo que levou à queda da ex-ministra Erenice Guerra, comentários sobre acusações feitas contra Dilma pela ex-diretora da Receita Federal Lina Vieira, e mensagens de boa sorte na campanha.

A Presidência disse ter dificuldades para confirmar se os e-mails de fato foram extraídos ilegalmente do correio eletrônico de Dilma. Assessores que acompanhavam a presidente em 2010 foram acionados para tentar localizar as mensagens, mas o grupo não chegou a uma conclusão. "O que importa é que, verdadeiros ou falsos, esses e-mails são frutos de um ato criminoso", declarou a ministra da Comunicação Social, Helena Chagas. Dois remetentes, no entanto, identificaram no lote de "Douglas" mensagens que realmente haviam enviado para Dilma em 2010. Numa, de 7 de outubro, o jornalista Kennedy Alencar, que na época era repórter especial da Folha, pedia que a candidata confirmasse sua presença no debate presidencial que o jornal organizaria dali a dez dias. Kennedy, que hoje trabalha na Rede TV!, participou da organização do evento e foi o apresentador do debate.

Na outra, o padre e cantor Fábio de Melo desejava boa sorte a Dilma na véspera do segundo turno da eleição, "dia histórico". Ele confirmou ontem à Folha que mandou a Dilma um e-mail com esse espírito na época, embora não se lembrasse com exatidão da mensagem. "Douglas" disse que também violou o e-mail do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu. O petista, que está na Europa, disse que detectou a invasão de sua caixa postal no UOL e mandou registrar a ocorrência na polícia. Dos e-mails que o hacker disse ter extraído de Dirceu, a Folha pôde ver dois. O ex-ministro disse que o conteúdo "fazia sentido" -uma conversa com o escritor Paulo Coelho, seu amigo, sobre um possível encontro na Europa-, mas não reconhecia "aqueles específicos". Dirceu disse que seu e-mail pessoal foi invadido por volta das 2h da manhã da última segunda. Segundo ele, sua senha teria sido alterada após telefonema de uma pessoa ao serviço de atendimento ao usuário do UOL. Segundo Dirceu, essa pessoa disse que perdera a senha e precisava recuperá-la e, para isso, teria fornecido dados pessoais do ex-ministro. O ex-ministro disse que, após procurar o UOL, conseguiu reaver o controle de sua caixa postal.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

À base de dinheiro. É assim que funciona a base de apoio da Dilma.

Da Folha Poder:

Presssionado pela base aliada, o governo recuou e decidiu prorrogar por três meses o prazo para pagamento de emendas ao Orçamento feitas em 2009, os chamados "restos a pagar". A decisão deve ser publicada amanhã em uma edição extraordinária do "Diário Oficial da União". O prazo original do decreto venceria nesta quinta-feira (30). Nos últimos dias, o Planalto sinalizava que não atenderia ao pedido dos aliados, que reivindicavam a extensão do decreto até o final do ano. Nesta quarta-feira, após chegar de viagem oficial ao Paraguai, a presidente Dilma Rousseff se reuniu com a ministra Ideli Salvatti (Secretaria de Relações Institucionais) para fechar a questão. Ideli passou o dia em negociações com os líderes na Câmara. 

A definição ocorreu depois que a base se rebelou, paralisou as votações na Câmara e aprovou convite para o ministro Guido Mantega (Fazenda) explicar a decisão do governo de não prorrogar o decreto. O líder do PTB, Jovair Arantes (GO), disse que mesmo após a prorrogação acha importante a presença do ministrro na Câmara para discutir o tema. "Acho importante a ida para esclarecermos algumas coisas." E completou: "As coisas parecem voltar ao normal." Segundo o líder do PR na Câmara, Lincoln Portela (MG), a presidente ficou "sensibilizada" com a situação dos pequenos municípios. Ele disse que a condição imposta pelo Planalto foi de que não haverá pedido de nova prorrogação. "A única condição foi que não podemos mais pedir uma nova prorrogação. A presidente ficou sensibilizada com a nossa situação, com a situação dos prefeitos."